Mente cansada


Desde cedo estou com vontade de escrever, mas não sei o que, nem sobre o que, escrever.

Estou confusa, sinto um fervor de ideias na cabeça, mas não consigo colocá-las num papel.

Detesto estar assim!

Tive sonhos incríveis esses dias, fiz interpretações estranhas, superei alguns medos, aprendi umas lições, tenho vontade de dividir tudo com alguém, penso em vir escrever aqui, mas as palavras não se encaixam não combinam.

Tenho lido bastante, coisas pra monografia, que não é monografia e sim um projeto.

Tenho lido jornais, blogs e opiniões na internet. Por sinal, a internet é uma dádiva, sempre tem algo novo pra me apresentar.

Ando lendo tudo: política, economia, história, cinema, música, novas tecnologias, direito, agropecuária, moda, literatura, atualidades, até sites médicos andei procurando nesses últimos dias.

Acho que minha cabeça anda meio bagunçada com tanta informação. Comecei a ler 2666 há uns dias e tenho perdido noites de sono com ele. Delícia de livro.

Espero voltar pra minha vida social logo, mas por enquanto, já que quebrei um dedo e preciso ficar a maior parte do dia de repouso, vou voltar pras leituras e pras confusões mentais.

Fiquem bem! Beijos

Janaina de Oliveira

Pedaços de mim




Hoje acordei e lembrei do dia que você se foi.

Cabisbaixa, sozinha, ferida. Acho que as suas feridas e a sua vontade de me dizer desaforos eram tantas que preferiu se calar.

Aquele dia foi doído pra mim, não só o dia, mas os dias que se seguiram a ele. Doía por mim e doía por você.

Eu lembro de todas as palavras duras e sinceras que te disse.

...

Hoje eu acordei e um vazio apertava no meu peito, era a falta de você.

Depois daquele dia nos encontramos uma única vez, você estava viva e bela. Eu acabaria por fazer uma besteira na noite, pouco depois que nos despedimos.

...

É, eu sei que você não sabe disso, porque haveria de saber? Eu te mandei embora. Ultimamente tenho te procurado desesperadamente, sem nem perceber.

Procuro você nos lugares mais bonitos e nos mais feios, nos alegres e nos tristes, prováveis e improváveis.

Tem sempre uma parte de mim que chora, sozinha e escondida, ela se esconde tão bem, a pequena; mas a intensidade é tanta que acaba por ferir cada vez mais fundo.

...

Hoje sinto que não posso mais te ter comigo, e também temo em você não ser mais o que era. Provavelmente não é, eu também não sou.
Sinto que o meu mundo está ruindo.

As vezes tento consertar as paredes dessa casa velha, tapar os buracos, mas eles teimam em crescer. Está tudo tão vazio, tão frio.

Onde será que se meteu o sol? Onde estão as cores amarelas, alaranjadas e roseadas do final do dia? E as crianças?

Mendigo nas ruas, peço trocados de afetos, vivo da pena de uns e do engano de outros. As boas paixões você levou, junto com a verdade, junto com a coragem e os sonhos.

Eu fiquei com a parte irreal da vida, com a inexistência dos sons e sorrisos.
Eu não tenho mais nada, além do pedaço de mim que sobrou.

Janaina de Oliveira

Dias que seguem


Vou ficar mais velha daqui a alguns dias e isso me preocupa bastante. 

Algumas pessoas acham isso futilidade, pessoas morrendo de fome no mundo e eu me preocupando porque estou ficando um ano mais velha. É verdade, eu sou uma das pessoas que acha futilidade também.

Mas a verdade é que isso sempre me preocupou, vejo sinais na minha pele, no corpo, no cabelo. E os piores sinais, com certeza, são os de origem psicológica. As pressões pra conseguir um emprego, pra ter bens próprios (leia: casa, carro, ações), pra ser responsável, inteligente, organizada e viva dentro de padrões socialmente aceitos (ironia da vida).

Ainda existe tanto pra ser feito, tantas viagens, tantas coisas pra experimentar, tantas pessoas pra encontrar. A vida vai passando e passando. O tempo tem sido um inimigo implacável, vivo, veloz, estou sempre brigando com ele e não tenho conseguido nada, acho que vou acabar me rendendo.

Já ouviu a frase: se não consegue vencê-lo junte-se a ele? Pois é, cada dia me convenço de que é isso que preciso fazer. Talvez juntos conseguimos fechar um acordo, chegar em algum lugar ou algo do tipo.

No mais ainda me acontecem coisas que eu não entendo, coisas que eu não aceito (ou não aceitava), coisas novas, velhas, erros e acertos. Ainda estou aprendendo, isso deve ser bom. Sinto falta dos antigos amores e dos que estão distantes, tento me desprender dos mais atuais.

Não gosto mais desses dias de chuva, eles me deixam com sono e enfadada, mesmo na correria do trabalho e faculdade. Estou com raiva do meu irmão, mas ainda entendo.

Janaina de Oliveira

Tempo perdido (parte 3)


Finalmente é sexta feira,
depois de quase três meses esperando minha casa ficar pronta.

Na verdade ela já está pronta há alguns dias, prontinha mesmo, com tudo arrumado e limpo. Decidi só vir pra cá hoje, sexta feira, depois do expediente, quero curtir minha casa nova o fim de semana inteiro.

Cheguei cansada, deitei e rolei nos sofás novos, no tapete velho da minha tia e na minha cama, com aquela cheirinho de quarto novo.

Antes de ir pra casa passei no super mercado e comprei verduras, queijo, frango e vinho, vou cozinhar e comer sozinha, assistir qualquer canal e dormi onde eu quiser.

Tenho planos de admirar o jardim amanhã, nem me importo se vai chover ou fazer sol, mas se pudesse escolher, escolheria o sol. O cavalete iria sair do quarto e iria para o lado do banco de ferro.

Como eu gosto daquele banco, branco, recém pintado. Lembranças vem e vão quando estou nele, agora a vista dele não é mais pra uma cidade suja e poluída, mas pra um jardim que, segundo a vizinha, já atrai borboletas coloridas.

Os quadros amanhã também serão coloridos, e doces.

Vou procurar os filhotes amanhã, ainda nem puder ver como ficou o canil, mas terei tempo de sobra pra isso. Acho que quero três filhotes, ainda não decidi se serão machos ou fêmeas, mas quem liga, já está tudo muito bom.

A noite vou ouvir música clássica, dançar sozinha e beber vinho. Os filhotes, de olhos grandes, não vão entender nada. Acho que vou deixá-los dormi comigo, vou dizer que é só por um dia, mas sei que meu coração mole vai deixar que eles fiquem por mais tempo.

Domingo é dia de praia. Vou ficar em casa, espatifada, de pijama. Vou ler e inaugurar a banheira com os sais que ganhei.

No final do dia vou preparar o trabalho da segunda e me lamentar porque o fim de semana acabou, me perguntar por que a vida não pode ser sempre como aqueles dias, filosofar sobre os sentimentos mundanos...

E a vida continua seguindo...

Janaina de Oliveira

Tempo de chuva




Já teve um tempo em que realmente achei que as coisas eram fáceis, os dias passavam, as crianças cresciam, o tempo passava a gente esquecia.

Mas hoje não está ventando, aqui é tudo muito seco, as pessoas dizem que eu preciso me acostumar, respondo pra mim mesma que não vou ficar muito tempo, mas não estou convicta, estou apenas torcendo.

Semana passada choveu um dia inteiro, e tudo estava cinza. Procurei cores e formas, nada.

Voltei pra cama e tentei dormi, mas alguma coisa dentro de mim doía e clamava por movimento, calcei um tênis e saí pra correr.

Durante o percurso, que não tinha início nem fim, pensei por que levantei da cama. Por que não fui para o trabalho? Por que perdi o ônibus? Só perguntas, sem respostas. Encontrei um gato comendo lixo e chorei.

A chuva caia cada vez mais forte, peguei o gatinho e fiquei ali chorando enquanto ele tentava se aquecer em minhas roupas molhadas. Conversamos por um tempo. Levei ele comigo e agora está dormindo aqui do lado da mesa.
Quero ir embora, parar de chorar e de lembrar os dias que nunca passam. 

Quero parar de usar essas roupas compridas, tristes, escuras e pesadas.

A minha necessidade agora é ter o melhor dia da minha vida.

Quando você vem me buscar?

Janaina de Oliveira

Questão de sorte


Digamos que me deu vontade de escrever.

Ando olhando fixamente pelas janelas de todos os lugares. Gosto especialmente das janelas dos ônibus. Andando, andando, tudo mudando.

Ando pensando nas mudanças, demasiadamente, penso tanto que fico sem tempo pras coisas importantes. Importantes? Que coisas? Bagunça na cabeça.

Tenho aprendido sobre política, tenho visto coisas pelos olhos de outras pessoas, pelas visões e conhecimentos de outras pessoas. Bacana isso.

A diversidade sempre me encanta.

Achei uma lagarta verde na minha varanda ontem, ela estava quietinha, pensei que estivesse morta, depois surgiu a esperança de ela estar virando casulo, vou esperar. Vou torcer pra que de dentro do casulo saia uma borboleta azul que se confunda com o céu quando voar.

Isso seria muita sorte.

Uma definição, muitas vezes, é uma questão de sorte.

Janaina de Oliveira

Carrossel Infantil




Lembro de ter 10 anos, estou brincando em um carrossel, colorido, intrigante, cheio de cavalos diferentes e altivos, é tudo muito livre e divertido, cheio de altos e baixos.

Ele também é perigoso, esqueceram de dizer isso. As cores e o brilho sempre escondem perigos, eu deveria saber!

Depois de tanto brincar e me machucar, decidi pular fora enquanto ainda podia. Difícil, pois ele gira muito rápido. O baque da queda foi forte, minhas feridas ainda nem estão cicatrizadas, as vezes acho que nem me levantei direito e ainda estou lá pedindo ajuda pra alguém que passa e olha.

Sinto saudades.

Mas não tenho mais 10 anos, e agora meu estômago embola só de pensar no rodopios do carrossel, eu já tenho 63 anos.

Ainda gosto dos cavalos, mas hoje prefiro os que estão livres e vivos, e não vejo beleza naqueles que ficam presos por um ferro vertical subindo pra cima e pra baixo. São compassados, contidos, o movimento de rotação traz uma falsa impressão de liberdade.

São todas fantoches dentro daquele carrossel medonho, pobres crianças indefesas.

Janaina de Oliveira

Mundo da lua e outros poemas


Um dia
Você se dá conta
Que a paixão
Não vem pronta
Nem fica tonta
Por tanto tempo
Os modos
Mudam
Os medos
Nos fazem mudos
E o que era tudo
Torna-se agora médio
Que remédio...
Senão matar esse pavor
Com um amor
Maior que o tédio

Uma das poesias do livro “Ménage à Trois” da escritora Paula Taitelbaum.

Janaina de Oliveira

Final do começo


Hoje eu vou começar sem começo, nem final.

O final foi ontem, final de uma etapa na vida, já tem um tempo que eu venho tentando mudar umas coisas. Está mais complicado agora, minha psicóloga me largou, está em busca dos planos próprios dela, eu fiquei, fiquei feliz, acho que ganhei muitas coisas no tempo em que fiz terapia.

Tenho medo do que vem agora, tenho medo de sofrer, mas é uma irônia, eu já me sinto sofrendo bastante, espero escrever mais e mais agora, escrever sempre me deixa melhor.

O caso é que as coisas estão estranhas, tá tudo muito confuso e difícil, hoje acordei e queria que ainda fosse noite, mas a vida não espera, ela vai seguindo e te deixa se você não acompanhar o passo.

Eu vou seguir, apesar de tudo hoje acordei mais forte, acordei maior. Ainda não tenho vontade de seguir, queria fazer igual uma amiga que se trancou no quarto, desligou o celular e tentou sumir do mundo por uns dias, mas não vou, eu preciso enfrentar as dores e os medos.

Lembrei de uma frase hoje: "A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional", não lembro agora a autoria.

Estou tentando me livrar do sofrimento, eu quero ser feliz, mereço ser feliz. E não quero essa felicidade vendida e corrompida que se estampa todo dia na propaganda de produtos. Eu quero a minha felicidade, quero estar perto das pessoas que me amam. Quero me encontrar, quero gerenciar minha vida e conseguir realizar alguns sonhos.

Hoje eu vou sair, vou ver a chuva ou o sol, as nuvens ou o céu limpo, quero sentir o vento ou calor escaldante do sol, quero mostrar pra mim mesma que mais que essa dor outras sensações também me fazem sentir que estou viva.

Bom deve ser isso, pretendo estar mais por aqui, pelo menos por enquanto.

Janaina de Oliveira

Minha Lore (Docinha)



Se fosse para contar a história do comecinho, eu nem iria saber apontar datas. Lembrar eu lembro sempre, o problema é limitar o início.

Já começou amizade. Daquelas de meninice, quando nem imaginávamos que dois e dois não são cinco. Dessas de tenra infância, quando surge porque minha mãe é amiga da sua. Mais ou menos por aí.
Não teve a fase do "conhecer" devagarzinho.
Começou intenso. 
Simples assim.
Como se nos conhecêssemos há um tempão. Outras vidas, bem provável (quem acredita nessa hipótese, digo que é uma forte candidata a ser a mais pura verdade). 
E eu acredito sim.
E creio que dividimos hoje e sempre os mais sublimes valores: o respeito e a amizade.
De repente, sem completar a primeira semana, estava dando colo enquanto ela chorava.
Os segredos foram logo compartilhados, assim mesmo, sem cerimônias. 
Nada de esperar pelo tempo. Atropelamos tudo.
Horas e horas no telefone. 

Tem permanência vital comigo agora. E nem quero ouvir falar em separação, porque vai doer. 
Janaína tem nome de música conhecida, tem nome da rainha do mar. 
Pra mim é a minha princesinha.
Pequenininha e doce. - Ingredientes perfeitos para docinha ;)
Me faz retornar à infância, às vezes. Sinto que posso voltar a brincar, pular, gritar e até fazer caretas com ela.
Me faz sentir que juntamos anos e anos de experiência em pouco tempo que nos fomos apresentadas. Ou melhor, REapresentadas. Repito mais uma vez, agora com mais certeza que na linha 11, que já nos conhecíamos há tempos, por essas dimensões afora... 
Por muitas vezes foi a voz da bronca e da risada. 
Historinhas pra contar para netos e bisnetos, temos até ficar roucas e completamente afônicas.
Aos meus seletos amigos, me declaro verdadeiramente. 
Te amo, meu orgulho! =)

Por Lore Vieira

Esse texto foi um presente pra mim hoje, estava no blog da minha querida amiga.
Obrigada também te amo, meu presente de outras vidas.

Janaina de Oliveira

A moral da história, depois da estória.




Era uma vez uma menina, bem pequenina. Ela sorria, ela cantava, mas ela também chorava, se magoava, era frágil e dócil, diferente do mundo cruel e impiedoso.

A vida passou, a menina cresceu, endureceu, casou e morreu.

...

[silêncio]

Mas tudo bem, a dor já passou.
Pode sorrir calmamente, e perceber que a vida te dá muito mais do que você precisa.
Te dá bem mais cores e músicas, mais sensações e arrependimentos do que são possíveis experimentar em uma única existência.
Pode abraçar os teus irmãos e nesse momento perceber que os teus sonhos estão sempre tão perto quanto qualquer sorriso de criança.
Segura a rédea do teu cavalo, ele se chama vida. Se quiser deixe ele solto, deixa ele livre pra correr. Aproveita pra sentir os pingos de chuva caindo, é gostoso e dolorido. A intensidade é tanta que lembra um amor apaixonado.
Lembra que o amor tem sempre razão, mesmo que seja uma só e implícita.
Se a felicidade te chama, vai, não importa pra onde, nem quando, nem porquê. Vai.
Lembra dos sonhos e das dores, aprende e segue em frente.

Desse jeito o caminho nunca acaba e toda parada é um novo começo.

Janaina de Oliveira

De volta?


Olá olá,

Depois de tanto tempo resolvi vir aqui e postar uma coisinha, já tem um tempo que tenho sentido vontade de voltar a escrever no blog, mas ando totalmente sem inspiração.
Realmente não sei o que me anda acontecendo, mas o fato é que tento, tento, mas não sai nada.
Então resolvi escrever besteiras e o que me desse na telha, pretendo ficar assim por algum tempo, usando o blog de diário e desabafao. Vamos ver se dá certo.

Esse ano começou estranho, passei a virada chorando, no dia seguinte sorria satisfeita com as mudanças dolorosas pelas quais estou passando. Ééé sinto que estou crescendo, e como repeti exaustivamente para minha psicóloga nas últimas seções, crescer dói, mas dói mesmo!
Depois de uns dias muito confusos, passei a perceber o quanto andei nos últimos meses, deixei um caminho que vinha percorrendo, estou voltando pra pegar o outro caminho que ficou pra trás, um retrabalho danado, mas estou firme.

No mais estou seguindo, cheia de planos, como começar academia (denovo!), fazer yoga, terminar o inglês, terminar o novo curso de português, fazer minha monografia, entregar um plano de comunicação pra empresa (trabalho novo, por sinal, depois devo escrever sobre isso), me formar, vixe! são muitas coisas, muitas outras que nem lembro agora.

No mais vou ficando por aqui,

Janaina de Oliveira