Por esses dias

Acho que encontrei o que tanto procurava esses ultimos tempos, depois de tanta coisa. Parece pouco, mas não é decepcionante. Sabe aquela sensação boa de chegar no mar e molhar os pés?

Sinto a brisa do mar tocando meu rosto, e parece tanto com você. Olho pra trás e vejo as marcas de passos no chão. Posso sentir, você tão proximo.Tudo está tão proximo, e dessa vez tudo vai ser diferente.

Quando segurar na sua mão posso fechar os olhos?

Janaina de Oliveira

Pense nisso, eu tô pensando.

“Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas e saem sozinhas”. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos. Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dance", incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida? Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances sexuais dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormirem abraçados, sabe essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega. Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção.
Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós. Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos ORKUT, o número que comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra ser sozinho!". Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis. Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa.
Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega. Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso à dois. Quem disse que ser adulto é ser ranzinza, um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele.
Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida. Antes idiota que infeliz!"
Arnaldo Jabor

Estudando Estética

" O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente."

Fernado Pessoa

Que nos dizem esses versos? em primeiro lugar, como no poema de Jorge de Lima sobre o narrador, Fernando Pessoa joga com a palavra "fngidor": o poeta é um fingidor porque finge dor. Porém, prossegue o poema, o que o poeta finge? "Finge que é dor ", isto é, no sentido de fingere, compõe um poema, constrói uma obra, arranja as palavras para dizer a dor. E "finge completamente", isto é, transfigura a dor em poema. Mas, o que é essa dor que ele constrói em palavras na forma de poema? Não é uma mentira, pois a dor fingida (ou seja, construída como obra) é a dor que "deveras sente", isto é, que sente de verdade, realmente.