Dias que seguem


Vou ficar mais velha daqui a alguns dias e isso me preocupa bastante. 

Algumas pessoas acham isso futilidade, pessoas morrendo de fome no mundo e eu me preocupando porque estou ficando um ano mais velha. É verdade, eu sou uma das pessoas que acha futilidade também.

Mas a verdade é que isso sempre me preocupou, vejo sinais na minha pele, no corpo, no cabelo. E os piores sinais, com certeza, são os de origem psicológica. As pressões pra conseguir um emprego, pra ter bens próprios (leia: casa, carro, ações), pra ser responsável, inteligente, organizada e viva dentro de padrões socialmente aceitos (ironia da vida).

Ainda existe tanto pra ser feito, tantas viagens, tantas coisas pra experimentar, tantas pessoas pra encontrar. A vida vai passando e passando. O tempo tem sido um inimigo implacável, vivo, veloz, estou sempre brigando com ele e não tenho conseguido nada, acho que vou acabar me rendendo.

Já ouviu a frase: se não consegue vencê-lo junte-se a ele? Pois é, cada dia me convenço de que é isso que preciso fazer. Talvez juntos conseguimos fechar um acordo, chegar em algum lugar ou algo do tipo.

No mais ainda me acontecem coisas que eu não entendo, coisas que eu não aceito (ou não aceitava), coisas novas, velhas, erros e acertos. Ainda estou aprendendo, isso deve ser bom. Sinto falta dos antigos amores e dos que estão distantes, tento me desprender dos mais atuais.

Não gosto mais desses dias de chuva, eles me deixam com sono e enfadada, mesmo na correria do trabalho e faculdade. Estou com raiva do meu irmão, mas ainda entendo.

Janaina de Oliveira