Workaholic – Trabalhando bem

Todo mundo tem uma preguicinha de acordar para trabalhar, é sempre mais interessante pensar no fora que levou, no capítulo da novela que passou, no gatinho do cursinho, na briga com o namorado. É sempre melhor ver desenhos animados, filmes, jornais, conferir o novo jogo, ou aqueles aplicativos da internet. O melhor mesmo é não fazer nada, sentar com as pernas pra cima e ver o tempo passar, nada de compromissos, nada de prazos, nada de gente pegando no seu pé, nada de responsabilidades...

Será que alguém realmente acredita nisso? Eu já trabalhei um bocadinho nessa minha vida, já fui estagiária, escrava (não foi à toa que recebi o apelido de slavenaína rsrsrs), babá, recepcionista, professora, repórter, fotógrafa, secretária, escritora (quando tinha oito anos escrevi um livro), vendedora, jornalista, testadora e sei lá mais quantas coisas. Já passei algum tempo sem emprego também, entre um trabalho e outro, e foi nesse meio tempo que eu percebi o quanto eu adorava trabalhar.

Os primeiros dias depois de sair de um emprego são uma maresia só, a gente acha que tem mil anos que não vê determinado programa, que vai ler todos os livros atrasados, que vai ver todos os amigos e finalmente vai ficar bronzeado de tanto ir para praia. Mas, o que será que acontece quando os dias passam? Você fica na cama, enjoa da internet, da televisão, dos livros e encontra aquela sua amiga que diz: - Noooossa, mas você ta pura com uma lagartixa de tão branca!

A gente não tem mais nada, a vida vira uma rotina de não ter o que fazer, não temos metas, não temos parâmetros, nem regras. Tem gente que diz odiar rotina, eu também já disse isso. Porém, descobri que não odeio rotina, mas que adoro quebrá-la. Hoje, eu amo os fins de semana, os feriados e férias. Sabe aquela frase que diz: você tem que provar o ruim pra saber dar valor ao que é bom? Ela é completamente verdadeira!

Se você não tem o trabalho, como vai ter o lazer? Como vai aproveitar o tempo de folga, se a sua vida for uma folga? Não é tudo a mesma coisa? Além do mais, quando você trabalha colhe os frutos, amadurece e a vida dá um jeito de te recompensar, de te reconhecer.

Tem mais, trabalho não é só um emprego, o trabalho a que me refiro é muito mais que isso, é o estudo, é o cuidado com o físico, com a mente, com a alimentação e com as pessoas que te rodeiam. É o trabalho com o universo inteiro, que é extremamente duro, mas enormemente recompensador. É bom olhar para trás e ver tudo o que você construiu, é bom ver que a vida passa, as dificuldades passam, mas a experiência fica e é ela que você usa para alcançar o que você almeja lá na frente. 

Hoje, eu amo o meu trabalho, aprendo com ele todos os dias. Tem dias que eu não quero levantar para seguir a minha rotina, que quero fazer qualquer coisa fora dela, mas eu lembro de tudo que eu já ganhei por segui-la, por deixar que o trabalho duro tomasse conta da minha vida, me apaixonei por ele e sigo em frente porque como já dizia algum vídeo motivacional que eu assisti: no trabalho duro, eu confio.

Por Janaina de Oliveira


2x Nós



Algumas pessoas vão entender quando eu falar sobre a dualidade do meu ser, sobre a disputa interna pela qual eu passei nesses últimos tempos, e a que ainda passo e sei que passarei. 

Sobre isso, hoje eu quero admitir que gosto mais da outra, da desmiolada, da que não liga, da que não tem medo, da autoritária, prepotente e confiante. Da mais generosa, da que gosta de novidades, da que não tem preconceitos, da ousada. É dela que eu gosto, é ela que admiro. 

Admiro quando ela está calma, quando ela está feliz, quando ri sozinha, quando sente o ar tocando no rosto, a água tocando na pele e o calor do sol já não incomoda. 

E o mundo todo vira uma imagem estática que lembra os verdes pastos das pinturas árcades ou as fotografias azuis com tons em sépia tiradas em praias tropicais. O som é breve e suave, com notas fortes e firmes que se entrelaçam em movimentos que o sentimento quase não consegue alcançar e vive a correr, sem nunca saber o que existe depois da chegada.

Por Janaina de Oliveira

A felicidade está em suas mãos




Estive pensando um pouco sobre qualidade de vida, e o quanto eu busquei essa danada na minha vida. Sempre tive uma vida boa, nada de outro mundo, mas nunca me faltou comida, roupas, estudo, o básico para se ter uma vida agradável. Sempre tive sorte por ter uma família unida, com problemas aqui e ali, mas sempre pronta a dar bons exemplos de dignidade e amor.

Porém, mesmo com todas essas coisas bem claras para mim, eu sempre estive sonhando com uma vida que eu não tinha. E aqui eu não falo de carros, festas e roupas maravilhosas que a gente sonha logo depois de ver filmes ou ler revistas de modas. Estou falando de sorrir mais, de levar uma vida saudável, de poder estar perto de quem a gente gosta, de quem nos faz bem.

Acho que pela primeira vez na vida eu me sinto assim. Estou em paz comigo, com meu corpo, com minha personalidade, com meus erros e acertos, com as responsabilidades que assumi, com meus hábitos e com a minha vida. Veja bem, não estou dizendo que parei e que vou viver a vida toda como estou, que não tenho mais planos ou metas.

Eu tenho sim! E muitas, inclusive tenho motivos para acreditar que em breve minha vida irá mudar absurdamente. E eu anseio pela mudança, não me importa se a vida vai estar melhor ou pior, porque uma das coisas que mais me faz bem é saber que não estou com medo do futuro, nem do passado e estou vivendo o presente.

Delícia de presente, tão imperfeito, tão incompleto, mas tão feliz. Sei que devo agradecer a todas as pessoas que estão comigo, porque cada uma delas me ajuda de alguma maneira, sei que devo agradecer a quem passou também. Mas hoje eu quero agradecer a mim mesma, por ser o que sou, por viver do jeito que vivo e por tentar sempre melhorar.

O meu tão sonhado equilíbrio tem estado muito próximo e eu vou continuar tentando, a vida toda se for preciso, alcançá-lo. E não me importa mais se eu não conseguir, porque o próximo já é muito bom e pode sempre melhorar.  

Por Janaina de Oliveira

Diálogos


[MAL] As vezes os diálogos começam mal, eles com um tom falso curioso e seguem com uma dose de julgamento de ambas as partes. Com todo julgamento carregado, vem o individualismo, o egoísmo e a necessidade de obrigar o outro a enxergar o ponto de vista oposto.
[BRIGAS] Sem sucesso na submissão de um ponto de vista, o individualismo vai crescendo e se espalhando, órgãos e sentidos que funcionavam perfeitamente bem, passam a não mais funcionar, tiram férias. Os ouvidos não ligam mais para o que a outra boca fala, as mãos já não são coordenadas facilmente e o cérebro, esse já não funciona nada bem, o setor de raiva cresce e suplanta todos os outros.
[TEMPO] Um hora o tempo para confusão acaba, e todos saem insatisfeitos e com coisas e coisas para serem ditas, palavras duras que não saíram antes, talvez gritos e raiva, cada vez mais raiva.
[GUARDADO] Isso tudo acaba guardado, como forma de ressentimento, como algo que não deveria ter existido, como algo que não existiu...

Assim a vida passa, as pessoas passam e chega o rancor, a dor e a solidão. 

Por Janaina de Oliveira