Final do começo


Hoje eu vou começar sem começo, nem final.

O final foi ontem, final de uma etapa na vida, já tem um tempo que eu venho tentando mudar umas coisas. Está mais complicado agora, minha psicóloga me largou, está em busca dos planos próprios dela, eu fiquei, fiquei feliz, acho que ganhei muitas coisas no tempo em que fiz terapia.

Tenho medo do que vem agora, tenho medo de sofrer, mas é uma irônia, eu já me sinto sofrendo bastante, espero escrever mais e mais agora, escrever sempre me deixa melhor.

O caso é que as coisas estão estranhas, tá tudo muito confuso e difícil, hoje acordei e queria que ainda fosse noite, mas a vida não espera, ela vai seguindo e te deixa se você não acompanhar o passo.

Eu vou seguir, apesar de tudo hoje acordei mais forte, acordei maior. Ainda não tenho vontade de seguir, queria fazer igual uma amiga que se trancou no quarto, desligou o celular e tentou sumir do mundo por uns dias, mas não vou, eu preciso enfrentar as dores e os medos.

Lembrei de uma frase hoje: "A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional", não lembro agora a autoria.

Estou tentando me livrar do sofrimento, eu quero ser feliz, mereço ser feliz. E não quero essa felicidade vendida e corrompida que se estampa todo dia na propaganda de produtos. Eu quero a minha felicidade, quero estar perto das pessoas que me amam. Quero me encontrar, quero gerenciar minha vida e conseguir realizar alguns sonhos.

Hoje eu vou sair, vou ver a chuva ou o sol, as nuvens ou o céu limpo, quero sentir o vento ou calor escaldante do sol, quero mostrar pra mim mesma que mais que essa dor outras sensações também me fazem sentir que estou viva.

Bom deve ser isso, pretendo estar mais por aqui, pelo menos por enquanto.

Janaina de Oliveira

Minha Lore (Docinha)



Se fosse para contar a história do comecinho, eu nem iria saber apontar datas. Lembrar eu lembro sempre, o problema é limitar o início.

Já começou amizade. Daquelas de meninice, quando nem imaginávamos que dois e dois não são cinco. Dessas de tenra infância, quando surge porque minha mãe é amiga da sua. Mais ou menos por aí.
Não teve a fase do "conhecer" devagarzinho.
Começou intenso. 
Simples assim.
Como se nos conhecêssemos há um tempão. Outras vidas, bem provável (quem acredita nessa hipótese, digo que é uma forte candidata a ser a mais pura verdade). 
E eu acredito sim.
E creio que dividimos hoje e sempre os mais sublimes valores: o respeito e a amizade.
De repente, sem completar a primeira semana, estava dando colo enquanto ela chorava.
Os segredos foram logo compartilhados, assim mesmo, sem cerimônias. 
Nada de esperar pelo tempo. Atropelamos tudo.
Horas e horas no telefone. 

Tem permanência vital comigo agora. E nem quero ouvir falar em separação, porque vai doer. 
Janaína tem nome de música conhecida, tem nome da rainha do mar. 
Pra mim é a minha princesinha.
Pequenininha e doce. - Ingredientes perfeitos para docinha ;)
Me faz retornar à infância, às vezes. Sinto que posso voltar a brincar, pular, gritar e até fazer caretas com ela.
Me faz sentir que juntamos anos e anos de experiência em pouco tempo que nos fomos apresentadas. Ou melhor, REapresentadas. Repito mais uma vez, agora com mais certeza que na linha 11, que já nos conhecíamos há tempos, por essas dimensões afora... 
Por muitas vezes foi a voz da bronca e da risada. 
Historinhas pra contar para netos e bisnetos, temos até ficar roucas e completamente afônicas.
Aos meus seletos amigos, me declaro verdadeiramente. 
Te amo, meu orgulho! =)

Por Lore Vieira

Esse texto foi um presente pra mim hoje, estava no blog da minha querida amiga.
Obrigada também te amo, meu presente de outras vidas.

Janaina de Oliveira

A moral da história, depois da estória.




Era uma vez uma menina, bem pequenina. Ela sorria, ela cantava, mas ela também chorava, se magoava, era frágil e dócil, diferente do mundo cruel e impiedoso.

A vida passou, a menina cresceu, endureceu, casou e morreu.

...

[silêncio]

Mas tudo bem, a dor já passou.
Pode sorrir calmamente, e perceber que a vida te dá muito mais do que você precisa.
Te dá bem mais cores e músicas, mais sensações e arrependimentos do que são possíveis experimentar em uma única existência.
Pode abraçar os teus irmãos e nesse momento perceber que os teus sonhos estão sempre tão perto quanto qualquer sorriso de criança.
Segura a rédea do teu cavalo, ele se chama vida. Se quiser deixe ele solto, deixa ele livre pra correr. Aproveita pra sentir os pingos de chuva caindo, é gostoso e dolorido. A intensidade é tanta que lembra um amor apaixonado.
Lembra que o amor tem sempre razão, mesmo que seja uma só e implícita.
Se a felicidade te chama, vai, não importa pra onde, nem quando, nem porquê. Vai.
Lembra dos sonhos e das dores, aprende e segue em frente.

Desse jeito o caminho nunca acaba e toda parada é um novo começo.

Janaina de Oliveira