Alucinações


"Te encontro em outra vida, quando formos gatos".
Vanilla sky (abre los ojos).


Se fosse resolver, iria te dizer: foi minha agonia.

Se eu tentasse entender,por mais que eu me esforçasse não conseguiria. E aqui no coração eu sei que vou morrer um pouco a cada dia.

E sem que se perceba a gente se encontra pra uma outra folia. Eu vou pensar que é festa, vou dançar, cantar, é minha garantia, e vou contagiar diversos corações com minha euforia.

E a amargura e o tempo vão deixar meu corpo, minha alma vazia.E sem que se perceba a gente se encontra pra uma outra folia.

Agonia-Oswaldo Montenegro



Não se espantem, hoje estou melosa, romântica e poética. E eu adoro esse filme. ;*
Janaina de Oliveira

Pra você e pra mim. Não pra nós.

Cheguei na festa tentando disfarçar aquele medo reprimido, por fora estava sorridente e radiante, por dentro tímida e confusa. Os olhos me olharam e eu me senti bem, bonita. Estava com os cabelos soltos, vestidinho novo, tão linda, e aquele cheiro doce que saia de mim deveria completar a produção.

Sorri educadamente para os demais convidados, cumprimentei o aniversariante e sentei-me em uma mesa. Logo em seguida algumas pessoas vieram me cumprimentar, brincadeiras à parte me tiraram alguns sorrisos, passei meus olhos em volta do ambiente a te procurar bem desconfiada, bem de leve, querendo e não querendo te ver, ou rever.

Já fazia tanto tempo, mas tanto tempo. Lembro-me de você na ultima vez que nos vimos, umas grande discussão, tempos sem nos falarmos, sem nem mesmo um email. Depois voltamos ao (a)normal, falávamos as vezes online, as vezes offline. A palavra saudade era constante, a atitude inexistente. Assim ficamos até hoje.

Quando olho de canto vejo você, saindo de alguma parte reclusa da festa, com uma garrafa de cerveja na mão, sorrindo e falando com outros. Meu coração bate mais forte, tento me controlar dizendo pra mim mesma que sou idiota porque sinto aquilo. Do nada você me olha, penso em desviar o olhar, mas me mantenho ali, você se aproxima quieto e fixo aos meu olhos, quando chega bem perto, me abraça todo brincalhão e desajeitado, beija meu rosto e sorri, eu disfarçadamente faço uma alegria e volto a me sentar.

Mais meia hora naquele ambiente todos no clima e eu pensando em que horas aquilo acabaria pra mim. Resolvi. Levantei, maquinei uma história, desculpei-me com o aniversariante, fui. Fui embora, nem sequer olhei pra trás, nem sequer pensei nisso. Adeus, sorri comigo mesma, o final finalmente chegou.


Janaina de Oliveira

Ela ainda está em mim, sonhos.

Hoje me deparei com um pedido estranho:
- Jana, se eu escrever um texto legal você posta no seu blog?
- Claro!
Mesmo que não seja legal, eu posto (pensei)
Mas ficou legal sim, muito legal. =)

Estava cansado.
Aquela terça-feira não tinha sido das mais difíceis, mas havia lhe cansado de uma maneira única. Assim que chegou em casa e jantou, viu apenas um pouco de televisão e desabou na sua cama. O cansaço se converteu num sono pesado, que apenas alguns minutos mais tarde se converteu num sonho.

No sonho, estava num daqueles cruzamentos que tanto passa pela cidade. Mas aquela Aracaju de sonho adquirira um aspecto muito mais bonito, com o tempo frio e nublado de tons pastéis e as árvores esparramando folhas secas pelo chão. Aquela cidade, daquele jeito, mal lembrava a quente e ensolarada Aracaju. Parecia mais com uma cidade da Inglaterra em tempos de outono.

Olhou em volta, havia poucas pessoas andando pela rua, alguns carros parados e nenhum tráfego na rua. Sentiu o vento frio e um pouco seco batendo de leve nele, mas não se incomodou, pois gosta e sempre gostou de frio. Olhou mais atentamente para si mesmo e viu que vestia uma roupa de frio, também tipicamente inglesa: um sobretudo azul bem escuro, com calças da mesma cor e luvas e tênis pretos com uma faixa branca larga na lateral.

Observava toda essa paisagem no canteiro que dividia as duas pistas daquele cruzamento, sem contudo cruzar a rua. Assim que decidiu caminhar para o outro lado da rua, alguém se pôs ao seu lado. Sem dar muita importância, continuou o percurso.

Quando já estava cruzando a rua, olhou direito para a pessoa que estava ao seu lado. Havia percebido sim que era uma menina, mas só olhando bem que viu que era ela. A síntese de um amor que bateu forte no seu peito alguns meses antes naquele mesmo ano, mas que não se concretizou, e que por isso mesmo o deixou numa tristeza muito grande por um bom tempo. Foi uma pessoa que o fascinou de uma maneira singular, que parecia em tudo com ele e, ao mesmo tempo tinha diferenças que o instigavam a conhecê-la mais ainda. Todos aqueles meses que não a via (não sabia precisar quantos, mas provavelmente uns cinco) se tornaram relativos naquele momento. O coração, que não palpitava com força há um bom tempo, em instantes gerou pancadas sucessivas contra sua caixa toráxica. Era como se mesmo nada tendo dado certo, suas esperanças tivessem renascido das cinzas e ele tivesse a certeza de que conseguiria se tentasse mais uma vez.

Admirou todos os detalhes de seu rosto novamente. Os olhos negros, de escuridão e profundidade abissal tinham o mesmo brilho de quando a vira pela primeira vez, colocados por trás das mesmas transparentes lentes de grau.A pele continuava branca e lisa e o cabelo, que ficava na altura dos ombros, crescera um pouco e agora chegava em parte das costas, mas mantinha o mesmo tom castanho com algumas mechas um pouco mais claras. Trajava um casaco grosso, de um tom de cor parecido com o seu, mas com um cachecol um pouco mais claro em volta do pescoço. Saias longas com meias-calça, botas escuras de camurça, de cano longo, e luvras pretas como as suas completavam o visual. E ele sentiu que tudo isso que vira nela não havia durado mais que uns quinze segundos.

Enquanto olhava para ela, ela sorriu. Um sorriso simples, leve, que lhe transmitiu uma sensação enorme de paz. E antes que ele falasse seu nome, ela começou uma conversa. Conversaram parados ali, ainda na rua e perto da calçada mesmo. Até que ela disse algo que o deixou congelado.

"Me decidi. quero namorar você. Você ainda quer?"

Nem sabia ao certo se era essa frase mesmo que tinha ouvido. Mas pouco importava, o sentido era aquele mesmo que ele queria que fosse, enfim. Ainda sem acreditar, apenas falou algo para afirmar. E depois disso sentira a garganta secar, assim como as mãos por dentro das luvas. O som pareceu sumir, sua visão desfocou ao redor e ganhou mais nitidez na direção do rosto dela. Ela colocou as mãos em volta das dele e encostou os lábios no dele. E assim um beijo se formou.

Nunca havia se sentido daquele jeito antes. Sentia os pés no chão, mas a perfeita sensação de alçar vôo. O coração já não palpitava com tanta força, apenas num ritmo que ele poderia considerar "bom". Não sabia se aquilo era de fato o amor que ele não tinha conseguido antes. Mas quem se importava? Era melhor do que ele podia esperar, definitivamente.

Ela sugeriu que fossem tomar um sorvete. E assim foram. Aonde estavam havia uma sorveteria próxima. Andaram de mãos dadas e muito próximos. Algumas ruas mais à frente, chegaram na sorveteria. Sentaram e cada um pediu o que queria. Continuaram conversando, até que enquanto aguardavam seus pedidos se beijaram mais uma vez. Mas dessa vez, ao abrir os olhos novamente, não estava mais com ela na sua frente. Estava no seu quarto, deitado em sua cama e não havia ninguém por lá.

O despertador do celular marcava 6:00 da manhã. Era mais um dia de estudo na Universidade e de trabalho á tarde no estágio. A vida seguia, mas depois desse sonho, ele tinha uma certeza : o fantasma do maior amor que já sentira - e que não deu certo, logicamente - continuava a lhe perseguir, e talvez continue pelo resto de sua vida...

Pedro Ivo, ao som de The Fray - Hundred

Saudades do Carnaval


"Não! não me compreendeis...
Ouvi, atentos, pois meu amor se compõe do amor dos dois.
Hesitante entre vós, o coração balanço, o teu beijo é tão doce, Arlequim... o teu sonho é tão manso, Pierrot...
Pudesse eu repartir-me e encontrar minha calma dando a Arlequim meu corpo...e a Pierrot, minha alma!
Quando tenho Arlequim, quero Pierrot tristonho pois um dá-me prazer, outro dá-me o sonho!
Nessa duplicidade o amor todo se encerra um me fala do céu... outro me fala da terra!
Eu amo, porque amar é variar e, em verdade, toda a razão do amor está na variedade...
Penso que morreria o desejo da gente se Arlequim e Pierrot fossem um ser sómente.
Porque a história do amor só pode se escrever assim um sonho de Pierrot e um beijo de Arlequim!"
um trecho de "Máscaras" de Nenotti del Picchia, que tão bem retrata como se divide e balança o coração da Colombina.
Janaina de Oliveira