Amanhecer


Hoje eu acordei feliz, olhei pra minha cama e vi nós três deitados, cada um com seu espaço nessa kingsize monstruosa, cada um com um pedacinho mais ou menos proporcional. Acordei e meu sorriso frouxo não pôde ser contido. Haaa você há de me desculpar, mas ele estava mais charmoso que de costume essa manhã.

Você também estava, mesmo com seus olhos azuis cobertos pelo seu profundo sono. A tranquilidade do seu sono após uma noite de insônia me lembrou meu grande amor que ficou do outro lado do mundo, que viajou por entre vidas depois que parti. Nessa manhã, a sua respiração era igual a dele. Que engraçado, você dormiu de óculos, nem se quer teve tempo de tirá-los ou apagar as luzes antes de apagar o seu próprio corpo.

O olhei para o nosso black guy deitado no espaço que sobrou da cama, mas era tanta malícia naquele corpo esticado e preguiçoso que eu mal pude conter a vontade de beslicá-lo. Mas não seria justo com ele acordar naquela hora, não seria justo com você, mas para mim era o melhor momento do dia.

Assim a manhã foi passando, eu sentei discretamente na minha parte da cama e comecei a ler, eu já estava me sentindo recuperada da enfermidade que me atacou na noite anterior, já estava me sentindo abençoada de novo se não fosse por pequenas preocupações (baratas diga-se de passagem).

A cabeça começa a lembrar do coração, aquele coração cheio de saudade. Saudade de quem ficou do outro lado do mundo. O coração cheio de dúvidas: um dia a saudade vai passar? Algum dia a saudade vai mudar de lugar junto comigo? A partir de agora a saudade vai ser pra sempre? Será que o tempo é capaz de empurrar pra baixo do tapete as nossas boas lembranças? E as ruins? O que será que o destino prevê pra minha vida?

Custa a relaxar quando a maior das perguntas precisa ser respondida com certa urgência: Em que hemisfério você estará no próximo ano?


Janaina de Oliveira

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