Pra você e pra mim. Não pra nós.

Cheguei na festa tentando disfarçar aquele medo reprimido, por fora estava sorridente e radiante, por dentro tímida e confusa. Os olhos me olharam e eu me senti bem, bonita. Estava com os cabelos soltos, vestidinho novo, tão linda, e aquele cheiro doce que saia de mim deveria completar a produção.

Sorri educadamente para os demais convidados, cumprimentei o aniversariante e sentei-me em uma mesa. Logo em seguida algumas pessoas vieram me cumprimentar, brincadeiras à parte me tiraram alguns sorrisos, passei meus olhos em volta do ambiente a te procurar bem desconfiada, bem de leve, querendo e não querendo te ver, ou rever.

Já fazia tanto tempo, mas tanto tempo. Lembro-me de você na ultima vez que nos vimos, umas grande discussão, tempos sem nos falarmos, sem nem mesmo um email. Depois voltamos ao (a)normal, falávamos as vezes online, as vezes offline. A palavra saudade era constante, a atitude inexistente. Assim ficamos até hoje.

Quando olho de canto vejo você, saindo de alguma parte reclusa da festa, com uma garrafa de cerveja na mão, sorrindo e falando com outros. Meu coração bate mais forte, tento me controlar dizendo pra mim mesma que sou idiota porque sinto aquilo. Do nada você me olha, penso em desviar o olhar, mas me mantenho ali, você se aproxima quieto e fixo aos meu olhos, quando chega bem perto, me abraça todo brincalhão e desajeitado, beija meu rosto e sorri, eu disfarçadamente faço uma alegria e volto a me sentar.

Mais meia hora naquele ambiente todos no clima e eu pensando em que horas aquilo acabaria pra mim. Resolvi. Levantei, maquinei uma história, desculpei-me com o aniversariante, fui. Fui embora, nem sequer olhei pra trás, nem sequer pensei nisso. Adeus, sorri comigo mesma, o final finalmente chegou.


Janaina de Oliveira

2 comentários:

  1. Você chega na festa representando o auge da segurança e independência, apesar de estar quase desmontando de medo por dentro... E aí, pra completar, vem o passado inacabado, e destrói de vez a única pontinha de coragem que você ainda consegue ter.

    Mas concordo com você e faria a mesma coisa. Me despediria de todo mundo e ia embora. Sei que pra muita gente isso pode parecer fraqueza, mas acho que é só uma forma de evitar situações que fazem mal.

    Enfim... não que eu seja uma chata completa, mas nos últimos dias notei que, por mais que as regras digam que você precisa superar atritos e se relacionar bem com as pessoas, sempre vai existir uma que vai continuar te fazendo mal, mesmo sem querer.

    Então comecei a sair de algumas festas.

    :*

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  2. Quase fiz um texto em vez de um comentário

    hahahahaha

    mas é que me identifico com muitas das coisas que você escreve x)

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